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Eva Sopher, Theatro São Pedro e Multipalco: |
Sinônimos de Cultura Brasileira
A história de Eva Sopher, a “doce fera”, é fundamental em qualquer capítulo ou parágrafo que cite personalidades brasileiras. Conhecer o Theatro São Pedro é conhecer a casa de Eva Sopher.E foi nesta casa que ela nos recebeu para falar de sua paixão. A arte e, mais especificamente, o Theatro São Pedro e o sonho de construir o Multipalco. Poucas mulheres têm em sua biografia depoimentos de artistas e grupos que reforçam o título de uma das maiores administradoras culturais do Brasil. Uma Dama da Cultura. Ela foi, e é, a grande idealizadora do Multipalco e não mede esforços para estar ali todos os dias. “O TSP é fundamental para Porto Alegre”, diz ela. Com o Multipalco, os desejos e anseios de Dona Eva, em continuar a promover a cultura e a paixão pelas artes só se afirmam. Sua história é um exemplo de vida, de luta, de dedicação.
Fugiu da Alemanha nazista junto com a família. Na época tinha 13 anos. Entendeu muito cedo o significado das palavras sobrevivência e liberdade. No ano de 1960 chega a Porto Alegre e assim inicia um marco importantíssimo na trajetória cultural do Rio Grande do Sul. Durante 23 anos tornou-se sinônimo de Pró Arte em Porto Alegre. Trouxe artistas do clássico ao contemporâneo. Da harpa e o piano à música eletrônica.
Desde 1960 conseguiu realizar anualmente ininterruptas temporadas culturais, com um mínimo de quinze apresentações artísticas do mais alto nível, chegando a promover, em alguns anos, a expressiva cifra de até 24 espetáculos. Solistas, conjuntos de balé e de câmara, grupos de teatro e orquestras sinfônicas internacionais apresentaram-se ao público de Porto Alegre através da Pró Arte, numa atividade de intenso intercâmbio cultural. Este trabalho, inicialmente sumamente penoso e mesm€o ingrato, foi mais tarde recompensado pelo reconhecimento e apoio do grande público, dos órgãos governamentais estaduais, municipais e federais, dos institutos culturais, imprensa escrita e falada e pelas representações diplomáticas. Através desse intercâmbio cultural, certamente tem contribuído o trabalho da Pró Arte para o fortalecimento da comunicação entre as pessoas e os povos.
Desde 1966 Eva Sopher vem recebendo homenagens locais e estrangeiras pelo mérito de suas atividades, quer com título de “Personalidade do Ano”, “Destaque do Ano” ou “Gaúcho Honorário”. Foi agraciada em 1970 pelo Presidente da República Federal da Alemanha com a “Cruz do Mérito de Primeira Classe”, comenda esta conferida por serviços prestados ao intercâmbio cultural entre o Brasil e a Alemanha.
Em 1971, após votação unânime na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, foi sancionada a lei concedendo-lhe o título de “Cidadã Honorífica” da cidade de Porto Alegre. Em 1974, recebeu das mãos do Governador Euclides Triches a medalha “Simões Lopes Neto”, concedida na ocasião pela primeira vez desde a sua instituição, em 1972, “a pessoas que se distinguem por sua excepcional atuação no campo da cultura”. Ainda em 1971 a convite do então governador do Estado, passou a integrar o Conselho Deliberativo da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (FOSPA), cargo honorífico ao qual foi reconduzida pelos governos posteriores.
Em março de 1978, recebeu do governo francês a medalha de “Chevalier dans l’Ordre des Arts et des Lettres”. Em dezembro de 1982 foi distinguida, junto com seu marido com a “Cidadania Honorifica Canelense”, em virtude da doação de sua residência, oferecida ao Governo do Estado e a qual, após ser transplantada sem ônus para os cofres públicos, está servindo como residência oficial de verão dos governadores, em Canela.
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